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Golias "O Pastor Alemão"

Golias "O Pastor Alemão"

Seg | 09.04.18

Uma História Patuda.....

Maria Grace

 


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A compaixão para com os animais é das mais nobres virtudes da natureza humana.


(Charles Darwin – Naturalista Britânico)


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


“UM PROBLEMA EM PATAS


 


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Num belo dia de Verão, Golias, o pastor alemão da Quinta dos Limoeiros e a sua dona mais pequena, Leonor, com 12 anos encontravam-se a descansar de uma caminhada, quando lhes pareceu ouvir alguém chorar. O som vinha dali de perto. O cãozinho ficou agitado, levantando-se e começando a andar de um lado para o outro.


 


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- Estás a ouvir, Golias? Parece alguém a precisar de ajuda. Também estás inquieto – disse a menina, que já conhecia o seu cão, quando ficava nervoso.


Os dois iniciaram uma busca pela causa de tanto sofrimento até que encontraram um menino, entre os oito, nove anos, que choramingava junto a uma bonita pastora alemã.


- Olá – cumprimentou Leonor – quem és tu?


- Sou o Filipe, da quinta dos Pastores – respondeu a soluçar, ao mesmo tempo que acariciava a cabeça do seu animal.


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- Porque choras Filipe? - perguntou a menina - Podemos ajudar de alguma maneira?


- Não, não podem, mas obrigado por perguntares – respondeu, já mais calmo. E contou a sua história, que os seus pais iam se mudar para a cidade, dentro de um mês, e não podiam levar Mia, a sua pastora alemã.


Filipe repetiu a explicação dada pela mãe “É um cão muito grande, para se ter dentro de casa”, e começou outra vez a chorar, pois estava tão afeiçoado à sua cadela,


que não se imaginava sem ela.


Após Leonor ter prometido aos seus novos amiguinhos que iria tentar ajudar de alguma forma, despediram-se e voltaram cada um, para as suas casas.


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No caminho, a menina magicava uma maneira de resolver este problema, o que não podia era permitir que a cadelinha fosse para outro lar, ou até mesmo para um canil.


- Golias, temos de falar com o papá – disse – ele terá uma solução para ajudarmos o Filipe. E já mais animada, continuou caminho a cantarolar, acompanhada do seu fiel amigo.


Já de regresso, ao ver o pai, Leonor iniciou a conversa que tinha idealizado durante o caminho


 


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- Papá, hoje conheci um menino que tem um problema muito grave.


- Muito grave! E quem é esse amiguinho? - perguntou o pai - Se há alguma forma de o ajudarmos, diz minha filha!


- Bem, eu realmente pensei em algo – disse Leonor, começando a explicar a sua ideia - nós vivemos numa quinta, com muito espaço, não é? E só temos o Golias! O que é que o papá acha de ficarmos com a cadelinha Mia, assim fazia companhia ao nosso cão, e quem sabe tinham filhotes! Acha uma boa solução? - perguntou animada a menina, que já imaginava vários cãezinhos bebés, a correrem pela casa, e pela quinta dos Limoeiros.


Leonor começou a rir-se, ao idealizar os pequenos Terror, Choné e Preguiça sentados, muito sossegados, a ouvirem a mãe reclamar das suas tropelias.


 


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- Gosto da tua ideia – disse o pai, que já tinha pensado em arranjar mais um cão para a quinta. Vou falar com a tua mãe.


E entraram em casa.


Da cozinha exalava um cheiro bom, o jantar devia estar pronto.


- Ainda bem que chegaram, vamos já para a mesa.


Leonor e o pai lavaram as mãos, e sentaram-se. Golias deitou-se, de orelha em pé, atento à conversa da família.


 


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“A MAMÃ OFERECE-SE PARA AJUDAR


 


Sentados os três à mesa, Leonor não tirava os olhos da mãe.


- Queres dizer-me alguma coisa, No-No? - perguntou esta carinhosamente.


- Mamã, gosta muito do Golias? - perguntou a menina, não sabendo muito bem como abordar o seu problema.


- Mas é claro que sim – respondeu, surpresa – que pergunta!


- É que nós conhecemos um rapaz, o Filipe, que é neto do nosso vizinho, e ele tem uma cadela que se chama Mia, é muito meiga, e chora muito, porque está muito triste, e a mamã podia ajudar, se gostar do Golias e de todos os cães – Leonor relatou a sua história de uma forma tão confusa, tal era o receio de se esquecer de uma alguma coisa importante, que nem percebeu que a mãe não estava a entender nada.


- Então conheceste uma cadela que está muito triste, e não pára de chorar! - disse a mãe da menina. 


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                   Leonor olhou para a mãe com uma expressão de pura desilusão.


- Não, mamã, o Filipe é que está triste, e chora muito.


     E a menina explicou, desta vez calmamente, toda a sua ideia, para ajudar o seu novo amiguinho.


       A mãe ouvia-a, atentamente, observando-a com ternura, e orgulhosa da sua filha, e do empenho que mostrava em apoiar alguém que precisava.


- Muito bem, minha querida – disse a mãe de Leonor – aprovo a tua solução, e porque sei que o teu pai está ansioso de ter mais um cãozinho, mas gostava de conhecer o teu amigo e a sua cadelinha.


- Está bem, mamã – disse ela entusiasmada – vou falar com Filipe.


      No dia seguinte, e porque estava de férias da Páscoa, Leonor dirigiu-se, logo pela manhã, a casa do seu amigo, esperando encontrá-lo mais calmo, mas ao ver a cara do menino, percebeu que ainda estava mais desgostoso, do que quando o tinha conhecido.


        - Olá Filipe – cumprimentou - parece que continuas muito infeliz. Aconteceu alguma coisa?


        - Sim – respondeu o rapaz – parece que os meus pais já tinham falado com um senhor amigo, para ficarem com a Mia, mas moram muito longe daqui, e assim nunca mais vou poder vê-la – e começou num pranto que dava dó.


     Leonor não sabia como consolar o seu amigo, mas ainda tinha esperança de conseguir inverter esta decisão.


        - E se os meus pais falassem com os teus? - lembrou a menina – talvez consigam convencê-los a deixarem a tua cadela na nossa quinta, e assim quando vieres cá podes sempre estar com ela.


           -  Isso seria o ideal – respondeu Filipe, já esboçando um sorriso.


Entretanto, enquanto conversavam, Golias conhecia melhor Mia, por quem se tinha perdido de amores. E não era para mais, pois a pastora alemã era muito bonita,


e via-se que era muito bem tratada pelos donos. Dócil e amigável, dera-se logo bem com o cãozinho, e parecia que já se conheciam há muito tempo.


         - Parece que vai dar casamento – disse a menina ao olhar para os dois animais juntos.


 


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      Os pais de Leonor quando conheceram Filipe e a sua cadela, gostaram muito deles e prometeram ajudar no que pudessem.


- Vamos falar com eles depois do jantar, Filipe – disse a mãe tentando confortar o rapaz – e quase que aposto que conseguimos convencê-los. 


 


“A FUGA DE MIA


 


A caminho da casa de Filipe, os três conversavam animadamente, esperando que a sua ida até lá resolvesse aquele problema patudo. Golias ladrava de contente, pois ia ver a sua amiga Mia, de quem já sentia muitas saudades.


Ao chegarem, Filipe abriu a porta de casa, com os olhos inchados de ter estado a chorar. Ficaram todos sobressaltados, a pensar no que teria acontecido.


A...A...A Mia fugiu! - tentou o menino dizer, em soluços – não a encontramos em lado nenhum.


Fugiu!!! - repetiu Leonor, assustada – mas para onde terá ido?


Os pais de Leonor, preocupados, nem se apresentaram adequadamente aos pais do rapazinho, começando de imediato a falar sobre o sucedido.


Resolveram todos fazer uma procura pelas redondezas, para tentar encontrar a cadelinha, mas não tiveram sorte.


Já é muito tarde para continuarmos – disse o pai de Leonor – e não acredito que esteja muito longe. São cães muito inteligentes, deve estar abrigada em algum lado. Amanhã prosseguimos com as buscas.


Os adultos concordaram com esta decisão, mas as crianças e principalmente Golias achavam que não deviam parar, até encontrar o animal.


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Sabe-se lá o que podia acontecer, à noite, sozinha pelas ruas, com frio e fome!


E se Mia encontrasse cães vadios, e maus, e não soubesse defender-se?


E se estivesse assustada?


E começaram a imaginar esse horrível cenário.


Os dois amigos não queriam ir para casa, mas ambos os pais não permitiram que ficassem na rua, por isso despediram-se muito pesarosos. O cãozinho, contudo, não podia desistir, afinal a sua amiga precisava de ajuda.


 


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     Decidido, foi sozinho procurar Mia, saindo pela porta das traseiras, que estava sempre entreaberta.


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“GOLIAS O SALVADOR"


       Golias iniciou a sua busca, pela vila, perguntando aos seus conhecidos se tinham avistado a pastora alemã, mas nenhum deles se tinha cruzado com esta.


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   Já estava a ficar preocupado, não acreditava que tivesse ido para a floresta, aí seria mais difícil encontrá-la, ainda por cima, de noite. Mas resolveu tentar a sua sorte, e dirigiu-se até aos locais onde costumava passear com a sua dona.


 


 


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         Auuuuuuuuuuu!!!!! - uivou o animal, esperançado que a cadela o ouvisse, e visse ao seu encontro.


Nada. Um silêncio absoluto reinava na floresta. Apenas se ouvia o piar das corujas que ali habitavam. “Uuu! Uhu!- Uuu! Uhu!”.


 


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     O pastor alemão estava inquieto. Onde estaria Mia?


Lembrou-se porém, que existia uma casa desabitada, na vila, onde muitos cães costumavam pernoitar, quando chovia ou fazia muito frio. Os donos viviam na cidade, mas mantinham aquela habitação para quando lá fossem, o que era raro, e intencionalmente ou por esquecimento, a porta das traseiras tinha ficado aberta.


Resolveu ir até lá.


Ao entrar na casa, ladrou a chamar por Mia “Au-Au! Au-Au!”, e do fundo pareceu-lhe ouvir um ganir amedrontado. Seguiu o som, e foi encontrar a cadelinha deitada num sofá, toda encolhida.


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- Finalmente encontrei-te” - ladrou Golias para a sua amiga - “ficámos todos muito preocupados, não voltes a fugir para longe de nós”.


Mia lambeu o nariz do cãozinho, a agradecer. E adormeceram felizes os dois, para regressar a casa no dia seguinte.


 


“TUDO ACABA BEM


 


Logo pela manhã, Golias e Mia voltaram para as suas casas. Filipe, ao ver a sua adorada cadelinha, agarrou-se a ela, e não a largava, tal tinha sido o medo de nunca mais a ver.


Leonor não se cansava de elogiar o seu Golias:


- É o salvador da Mia – dizia ao pai e à mãe – temos de comemorar.


- Bem, filha, penso que ainda temos que saber o que vai acontecer com a cadela – esclareceu o pai - afinal, não chegámos a falar com os pais do teu amigo, sobre o assunto.


- Então, vamos a casa de Filipe agora! Vamos! - gritou Leonor, assustada ao pensar que quando chegassem, a cadelinha já tivesse ido embora.


Calma – disse o pai da menina – tudo se vai resolver.


Nessa tarde, voltaram a casa de Filipe, na tentativa de conseguirem ficar com a cadela. Afinal, a fuga de Mia só demonstrava a sua profunda tristeza ao saber que ia sair daquele lugar, e não acreditavam que os pais do menino quisessem ser os causadores da sua infelicidade. 


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Mal avistou os seus amigos, a pastora alemã, veio ao encontro deles toda contente. E claro, não largou Golias um instante. Afinal, era o seu salvador.


Desta vez, conversaram todos sem percalços. A mãe do menino tinha preparado um chá com uns bolinhos, e falavam animadamente, enquanto as crianças brincavam, e os cães descansavam.


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      O pai de Filipe já tinha comunicado ao seu conhecido, que afinal a cadelinha ia ficar ali.


- Ele ficou triste, pois também gosta bastante de animais, mas entendeu – contou.


- Garanto que a vossa Mia será muito bem tratada – assegurou a mãe de Leonor.


Os pais de Filipe ficaram descansados com esta decisão, não só pelo filho, que assim teria a oportunidade de rever a sua amiga, cada vez que voltasse da cidade, nas férias, como também pelo animal, que se sentia feliz naquele ambiente de amor e carinho.


- Mamã, onde estão os cães? - perguntou Filipe, que distraído com Leonor, nunca mais vira os animais.


- Não sei, meu querido – respondeu a mãe – tens de ir procurá-los, não devem andar longe, e continuou a conversar.


       Filipe e Leonor assim fizeram. Percorreram o jardim todo, de uma ponta à outra, mas não havia maneira de os achar. Até que resolveram ir a casa, pois estavam já cansados, quando se depararam com os dois animais a repousar tranquilamente no sofá de Mia.


- Que lindo, a fazerem planos para o futuro – disse Filipe a rir.


- Que bom que tudo acabou bem – murmurou Leonor, feliz pelo seu amigo Golias.


 


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                                                       FIM


 


Autor: Maria João Carvalho Graça