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Golias "O Pastor Alemão"

Golias "O Pastor Alemão"

Qui | 16.08.18

Golias é Papá!

Maria Grace

Golias é Papá

 

 

    Nesse dia todos os habitantes da Quinta dos Limoeiros andavam numa correria, de um lado para o outro. A mãe e o pai passavam constantemente de um quarto para a cozinha, com água quente e panos.

Leonor olhava para os dois, e só perguntava:

- Posso ajudar?

- Podes, procura sossegar o Golias, que não se cansa de ganir na casa de banho, e está a pôr-nos nervosos – respondeu a mãe da menina.

 

Golias é Papá

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mas o que estaria a acontecer? Nisto, do fundo do corredor o pai gritou: “É uma menina!!!… Não espera, e um menino!!!! …..Ai! Querem ver! Outro rapaz!”

Golias é Papá

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

       Leonor que estava junto do seu cão, bateu as palmas de contente.

- Golias! Já és papá!

- Au! Au! Au! - ladrou o pastor alemão, feliz com aquele momento.

    E correu até lá fora, para avisar os seu amigos das redondezas, que já tinham nascido os seus bebés.

Golias é Papá

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   Um aviso foi suficiente, para aparecerem de imediato os primeiros, ansiosos por conhecer os bebés tão esperados.

- Então! Já podemos ver os “canitos? - perguntou Rudolfo, o Labrador.

- Sim, Sim! Estamos todos doidos por ver os filhotes do Golias – gritou Bola de Pêlo, o único gato amigo do pastor alemão.

- Ai meus ricos meninos! - disseram emocionadas as irmãs Piri e Quita, as galinhas da quinta em frente, que tinham pedido a tarde de folga.

 

 

Golias é Papá

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    - Já nasceram os míudos, são dois rapazes e uma princesa. A Mia está bem - informou Golias.  

- Parabêns Golias, és um pastor sortudo - disse Bola de Pêlo. 

  E passados uns minutos despediram-se, para deixarem a família descansar. 

 

Golias é Papá

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

       Os dias iam passando, e os pequeninos iam crescendo. Mia não os largava. Era uma mãe sempre preocupada, com os seus bébés. 

 

Golias é Papá

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

- Mãezinha, como se vão chamar os cãezinhos? - perguntou Leonor, preocupada, pois já tinham passado três meses, desde o nascimento, e os filhotes ainda não tinham nome.

- Vamos ter de fazer os três uma lista, minha querida, com o nome que mais gostamos, e depois negociamos - respondeu a mãe, sorridente.

 Nessa mesma noite, os três cães já estavam baptizados. Terror, Choné e Preguiça. 

 

Golias é Papá

 

 

 

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  - Terror? - perguntou o pai surpreso, ao mesmo tempo que dava uma gargalhada - coitado do animal.  

 

Golias é Papá

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  - Tens de concordar que o nome é adequado - respondeu a mãe - o Terror não pára um minuto, sempre a fazer tropelias. Lembra-me um certo canideo. Ainda me recordo Quando tudo começou...

Golias é Papá

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 - É verdade, pai - concordou Leonor - eu vejo o Golias sempre a repreendê-lo! 

 

Golias é Papá

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   Na realidade o pequeno Terror, da Quinta dos Limoeiros raramente sossegava.  Era mesmo traquinas. Por isso os pais, Golias e Mia estavam sempre de volta dele, zangados.

 

Golias é Papá

 

Golias é Papá

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   - Espero que o pequeno Terror não nos traga problemas - confidenciou o pastor Alemão a Mia.

  - Será - respondeu a cadelinha, apreensiva. 

Parece que Golias pressentia os maus momentos, que a família iria passar, nos próximos dias.

 

Golias é Papá

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Estava um Domingo de Sol, e como era usual, iam sempre fazer uma caminhada pela quinta, e aproveitavam para ir à vila. 

  - Já estão todos prontos? - perguntou o pai

 - Eu já estou - disse Leonor - e a mãmã também. 

  Já se preparavam para sair, quando Golias surgiu na sala, inquieto, a ladrar para eles, de uma forma estranha. 

  - Mas o que é o que o cão terá? - questionou a mãe.

 - Nunca o vi assim - disse o pai preocupado - Vou ver o que se passa. 

  E entrando no quarto do Pastor Alemão, deparou-se com Mia a chorar. Viu Choné, Preguiça e... Mas... Faltava ali o Terror? 

  - Falta aqui um pequeno - informou o pai de Leonor - possivelmente andará pela quinta a fazer das suas. 

 E resolveram sair todos, à procura do pequeno Terror. 

 Ao final do dia chegaram a casa, abatidos, pois não tinham encontrado o cãozinho em nenhum lugar. 

 - Estou desolada - disse a mãe de Leonor - onde estará o nosso pequenino.

    Golias juntou-se a Mia, triste, pois não tinha trazido o seu filhote para casa. Que pesadelo!

 

Golias é Papá

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   - Hoje não, pois já é tarde, mas amanhã vou à vila perguntar se viram o Terror - comunicou o pai. 

  - Isso, paizinho - disse Leonor - ele tem de estar em algum lado!

  O pai não disse nada, mas baixou a cabeça angustiado, pois temia o pior. 

 

 

 No dia seguinte, Leonor foi a primeira a levantar-se, de tão agitada que estava. Só pensava no pequeno cãozinho. Onde estaria ele? 

  A cadela Mia, sentada em frente á janela, parecia esperar que o seu filhote surgisse a qualquer momento. 

 - Vens comigo hoje à procura do Terror - disse Golias para a cadelinha.

 - Está bem - anuiu a cadela - Ficar aqui deixa-me mais ansiosa.

 

 

Golias é Papá

 

 

 

 

 

   

 

 

 

 

 

 

 

   Mas não seriam os únicos a procurar. Os seus amigos ao saberem do desparacimento do cãozinho, prontificaram-se de imdiato a ajudar, e logo pela manhã, estavam à porta da quinta, para seguirem juntos. 

  - Que bons amigos temos - confessou Mia, sensibilizada.

 

Golias é Papá

 

          Sairam todos a pé, em direção à vila. Os cães seguiram para um lado, e os humanos para o outro. Procuraram entre a vegetação, chamaram por Terror, perguntaram às pessoas que encontravam pelo caminho se tinham avistado o pequeno pastor alemão, e nada.

   Resolveram parar no café, para descansarem.

 - Bom Dia, Sr. João! - cumprimentou Leonor, ao entrar.

 - Bom Dia, menina. Está tão tristonha! - disse o dono do café, ao reparar na expressão sombria da rapariga.

  O pai de Leonor informou então o Sr. João, que o filho de Golias e Mia estava desaparecido desde o dia anterior, e que não o encontravam em lado nenhum.

   Uma senhora que prestava atenção à conversa, levantou-se e disse:

 - Parece-me que vi o vosso cão. Mas ia com um rapazinho, que até mora numa casa, perto da igreja. 

 Leonor saltou de alegria.

  - Vamos buscá-lo! - disse a rapariga, puxando pela mão do pai.

 - Calma Leonor - disse o senhor - não sabemos se é mesmo o Terror. 

 - Tem de ser - discordou a menina - não existem muitos pastores alemães nesta zona. 

 - Sim, pode ser - concordou a mãe.

  A senhora que tinha avistado o cãozinho, indicou-lhes a casa do rapaz. Era o Samuel, um menino orfão, que vivia com o avô, há já uns anos. Os pais tinham morrido num acidente de carro, e o menino não tinha mais ninguém. 

 - Temos de ir com calma - disse o pai de Leonor - o melhor será ir eu sózinho. 

   

Golias é Papá

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    Enquanto o pai de Leonor ia a casa do menino Samuel, Golias e Mias esperavam ansiosos. 

    - Será que é o nosso menino - disse Mia, esperançada.

   - Tem de ser - respondeu Golias - e se for, nunca mais o perco de vista.

 

 

    Todos aguardavam irrequietos, que o pai de Leonor trouxesse o pequeno pastor alemão com ele. Quando a porta da casa do menino abriu, os cães levantaram-se logo. 

  E à sua frente estava o pastor alemão Terror, que correu em direção aos pais.

 

Golias é Papá

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     - Finalmente - disse a mãe de Leonor, que adorava aquele pequenino. 

    - Mãmã, estou tão feliz! - confessou a rapariga, não tirando os olhos de Golias e Mia, que quase sufocavam o pequenino cão, com tantas lambidelas. 

 

Golias é Papá

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    - Então, e o menino Samuel? - lembrou-se a mãe.

     Antes de regressarem a casa, a mãe  achou que deveriam ir a casa do rapazinho.

     Afinal, o pequeno, que tinha a mesma idade de Leonor, tinha encontrado o cão na rua, assustado, e decidira trazê-lo com ele. Já imaginava que pertencia a alguém, mas com receio que lhe acontecesse algo, que fosse mordido por outro cão, ou atropelado por algum carro, pensou que seria preferível aguardar por notícias dos donos, sabendo que o cão estava em segurança. E assim foi. Claro que imediatamente se afeiçoou ao pastor alemão, mas tinha a noção que a qualquer momento, aquele poderia ir-se embora, por isso fazia de conta que estava a tomar conta do animal, apenas por uns dias. E ainda bem que o fez.  E por isso todos lhe agradeceram, e foram muito simpáticos para este. 

     - Fizeste muito bem em ter convidado o Samuel, a ir lá a casa visitar o Terror, sempre que quisesse - disse o pai a Leonor, orgulhoso da atitude bondosa da sua filha.

  - Paizinho, eu gostei realmente dele, e porque haveria de estar sózinho, se nós podemos ser amigos! - respondeu a rapariga, satisfeita. 

 

 

 

  O dia tinha acabado bem. Terror tinha voltado para casa, prometendo aos pais nunca mais se aventurar sózinho. Choné e Preguiça fizeram-lhe uma grande festa, pois gostavam bastante do irmão. Agora sim, tido voltado tudo ao normal. 

 

Golias é Papá

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    Terror tinha aprendido uma lição. E era visível a alteração do seu comportamento, outrora tão irrequieto, estava mais calmo, não se afastava muito da família, ouvia atentamente os conselhos do pai Golias e da mãe Mia. 

  Era um Terror diferente. 

  Por estar mais sereno, começou a apreciar os passeios com a sua família, e gostava muito de ouvir as histórias do pai, que fazia sempre questão em recordar o dia que tinha conhecido a mãe. 

Golias é Papá

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     Mia olhava enternecida para os dois, acompanhada dos outros filhotes. 

 

   - A família é o bem mais precioso que temos - disse a cadela, não contendo a emoção de ter todos reunidos novamente.

 

Golias é Papá

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 "O sonho de cada família é poder viver junta e feliz, num lar tranquilo e pacífico, em que os pais têm oportunidade de criar os filhos da melhor maneira possível, dando-lhes o amor e carinho que desenvolverá neles um sentimento de segurança, e de autoconfiança".

                        Nelson Mandela

 

 

Golias é Papá